Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

Bibliotecários: guardiões da memória e mediadores da leitura.

Em entrevista exclusiva à Colli Books, Aline Benitez mostra a importância das bibliotecas na formação de novos leitores, mesmo em tempos dominados pela tecnologia.

Em um mundo marcado pela rapidez das telas e pelo excesso de informação, o bibliotecário segue desempenhando um papel essencial: aproximar pessoas dos livros e transformar a leitura em uma experiência de descoberta. Celebrado em 12 de março, o Dia do Bibliotecário chama a atenção para o trabalho desse profissional que, muito além de organizar acervos, atua como mediador da leitura, incentivador da curiosidade intelectual e guardião da memória cultural.

Nas escolas, sua atuação é decisiva para despertar nas crianças e jovens o interesse pela literatura e construir, desde cedo, uma relação afetiva com os livros. Mesmo em uma era cada vez mais digital, as bibliotecas continuam sendo espaços vivos de cultura e conhecimento. São ambientes que se reinventam, incorporam tecnologias e novas formas de interação, mas que mantêm no livro um passaporte insubstituível para a imaginação, o aprendizado e a formação cidadã.

Para entender melhor a realidade das bibliotecas escolares e os desafios enfrentados por esses profissionais, conversamos com a bibliotecária de catalogação Aline Graziele Benitez, especialista em catalogação de livros e bibliotecas escolares.

Aline destaca que a presença de um bibliotecário no ambiente escolar é fundamental para orientar os estudantes no universo da leitura.

Segundo ela, ter um profissional bibliotecário nesse processo de formação é crucial para que futuros leitores recebam o direcionamento adequado na busca pelos livros. “É possível orientar, ensinar e mostrar que a leitura é um caminho fácil e prazeroso. A partir do momento em que se entra nesse mundo, abrem-se inúmeras possibilidades”, afirma.

A leitura, explica, também contribui para o desenvolvimento de diversas habilidades, como raciocínio lógico, ampliação do vocabulário, expressão cultural e artística, comunicação e oratória. “Por meio da leitura podemos mudar vidas. Existem muitos casos de sucesso ao longo da história que começaram com um livro ou com um professor que trabalhou a leitura em sala de aula”, observa.

A própria trajetória profissional de Aline nasceu desse contato com os livros. “Sou um exemplo vivo de que a leitura pode mudar vidas. Foram os livros e a leitura que me direcionaram ao caminho da biblioteconomia”, relata.

Bibliotecas vivas em um mundo digital.

Para a bibliotecária, embora algumas pessoas considerem as bibliotecas físicas algo secundário diante da tecnologia, esses espaços continuam fundamentais para a formação de leitores e para a disseminação da cultura.

“As bibliotecas mudaram muito em relação à imagem antiga de ‘lugar de silêncio’. Hoje se tornam espaços de troca de experiências, manifestações culturais, criatividade e, o principal, a construção de uma nova história”, explica.

Ela reconhece que o mundo digital facilitou diversos aspectos da vida contemporânea, mas ressalta que a tecnologia não resolve todos os desafios sociais. Por isso, bibliotecas escolares e públicas seguem desempenhando um papel importante na democratização do conhecimento.

“Esses espaços continuam lutando para que o conhecimento seja disseminado e para que possamos construir uma cultura de leitura. Mas, para que isso aconteça de fato na sociedade, é essencial fortalecer políticas públicas e educacionais que garantam o acesso das pessoas a esse universo incrível da leitura”, destaca.

Como despertar o interesse dos alunos pelos livros:

Entre as estratégias que considera mais eficazes, Aline aponta que o primeiro passo é mudar a forma como a biblioteca é vista dentro das escolas.

“É fundamental que as escolas enxerguem as bibliotecas como investimento e não como despesa”, afirma.

Segundo ela, a presença de um bibliotecário formado, trabalhando em parceria com professores, é essencial para desenvolver práticas pedagógicas que estimulem o interesse dos estudantes. Isso inclui manter um acervo atualizado e promover atividades como programações culturais, concursos literários e festivais.

Essas iniciativas ajudam a despertar a curiosidade dos alunos e a estimular a criatividade. “Também é importante que a biblioteca seja um local de acolhimento, onde os alunos possam explorar o acervo e descobrir novas possibilidades. Isso muda o olhar do estudante e desperta o interesse pela leitura”, explica.

O que as escolas podem fazer para fortalecer suas bibliotecas

Para instituições que desejam criar ou fortalecer suas bibliotecas, Aline defende investimentos estruturais e pedagógicos.

“O conselho é investir nas bibliotecas, no profissional bibliotecário formado, nas programações culturais e no espaço físico”, afirma.

Ela também destaca a importância de integrar a biblioteca ao cotidiano escolar. “É importante trabalhar pedagogicamente junto com os professores, promover aulas de leitura e motivar os alunos a explorar esse espaço.”

Para a bibliotecária, quando a biblioteca passa a ser vista como extensão da sala de aula, o impacto no aprendizado pode ser significativo. “A biblioteca precisa ser um espaço seguro onde os alunos possam criar possibilidades para a arte e para a vida.”

Caminhos para incentivar a leitura nas escolas:

Algumas estratégias simples podem ajudar escolas a fortalecer o vínculo dos alunos com os livros e transformar a biblioteca em um espaço dinâmico de aprendizagem.

  • Criar momentos regulares de leitura

Reservar períodos semanais para leitura silenciosa ou compartilhada ajuda a construir o hábito e a familiaridade com os livros.

  • Promover rodas de conversa sobre histórias

Debater personagens, temas e sentimentos despertados pelas narrativas estimula a interpretação e o pensamento crítico.

  • Investir em contação de histórias

Atividades de narração despertam a imaginação e aproximam as crianças do universo literário de forma lúdica.

  • Valorizar o espaço da biblioteca escolar

Ambientes acolhedores e acessíveis convidam os alunos a explorar os livros com autonomia e curiosidade.

Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

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