Quando família e escola leem juntas, nasce o leitor

No Dia Nacional da Família na Escola, celebrado em 24 de abril, especialistas reforçam que o hábito da leitura se fortalece quando casa e sala de aula caminham na mesma direção

Formar leitores vai muito além de ensinar letras e palavras. O gosto pelos livros nasce, muitas vezes, nos pequenos gestos: uma história contada antes de dormir, um adulto folheando um livro perto da criança, uma conversa curiosa sobre personagens e aventuras. Nesse processo, família e escola ocupam lugares complementares e decisivos.

No Dia Nacional da Família na Escola, a reflexão ganha ainda mais relevância. Quando responsáveis e educadores atuam em parceria, a leitura deixa de ser apenas tarefa escolar e passa a fazer parte da rotina afetiva da criança.

Para a educadora Fabiane Martins, o exemplo é um dos caminhos mais poderosos para despertar leitores.

“Educamos pelo exemplo. O incentivo à leitura não acontece apenas no ambiente escolar, mas também no familiar. Quando a criança vê que pai, mãe ou outros familiares valorizam os livros, entende que a leitura é importante.”

Segundo ela, a participação da família tem impacto direto na construção desse vínculo. “Ver a família envolvida com a literatura fortalece esse estímulo e contribui para formar um leitor.”

Quando a leitura chega em casa

Entre as iniciativas que aproximam escola e família, Fabiane destaca projetos simples e eficazes, como a circulação de livros entre sala de aula e lar.

“A ciranda de livros é uma experiência muito rica. O livro vai para casa e pode ser lido em família. Nesse momento, um adulto se torna leitor ou contador de histórias, e a criança percebe que aquele tempo é valioso.”

Ela ressalta que o mais importante não é apenas ler, mas conversar sobre a leitura. Perguntar o que chamou atenção, qual personagem despertou interesse, o que agradou ou não agradou ajuda a criança a desenvolver senso crítico e identidade leitora.

“Assim, ela começa a perceber do que gosta, que tipo de história prefere, se escolhe um livro pela capa, pelo título ou pelo tema.”

E quando a criança prefere telas?

Em tempos de celulares, vídeos curtos e jogos digitais, muitas famílias enfrentam a dificuldade de competir com as telas. Para especialistas, o caminho não está na disputa direta, mas na mediação inteligente.

Algumas estratégias podem ajudar:

  • Associe leitura ao prazer, não à obrigação:
    Evite transformar o livro em castigo ou cobrança. A experiência precisa ser leve e convidativa.
  • Respeite interesses da criança:
    Se ela gosta de dinossauros, futebol, mistério ou humor, procure livros ligados a esses temas.
  • Crie momentos curtos e frequentes:
    Dez minutos diários de leitura compartilhada costumam ser mais eficazes do que longos períodos esporádicos.
  • Use a tecnologia a favor:
    Audiolivros, ebooks ilustrados e autores nas redes também podem servir como porta de entrada para o universo literário.

O papel da escola em aproximar famílias

Além do trabalho pedagógico, a escola pode funcionar como ponte entre livros e lares. Fabiane cita eventos literários como ferramentas valiosas.

“Uma semana literária, por exemplo, transforma a escola em um espaço vivo de leitura. Receber autores, ilustradores e contadores de histórias dá protagonismo ao livro e envolve toda a comunidade escolar.”

Feiras de troca de livros, oficinas para responsáveis, rodas de leitura intergeracionais e desafios literários em família também são ações capazes de fortalecer esse vínculo.

Ler junto é construir memórias

Mais do que desenvolver vocabulário, imaginação e aprendizagem, a leitura compartilhada constrói lembranças afetivas que acompanham a criança por toda a vida. Quando escola e família se unem nesse propósito, os livros deixam de ser objetos na estante e se tornam experiências vividas.

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